Nos últimos dias aconteceram três coisas que, separadas, parecem notícias soltas. Juntas, são um sinal que eu não consigo ignorar.
A Anthropic recusou as condições para que o Claude fosse usado pelo Pentágono. No dia seguinte, a OpenAI fechou contrato com o governo americano. E no meio desse ruído todo, surgiu a ameaça de nacionalização de uma empresa de IA, coisa que há dois anos soaria ficção científica.
Não soou mais.
Desde o ano passado eu venho citando nas minhas aulas um relatório chamado AI 2027. Ele descrevia exatamente esse cenário. A história, cara, tem uma forma muito particular de provar que quem presta atenção nos sinais certos não é paranóico, é só mais rápido.
E aí, nessa mesma semana, o Baker McKenzie demitiu 10% da sua força de trabalho.
O Baker McKenzie é um dos maiores escritórios do mundo. Não estamos falando de escritório médio apertado em conjuntural difícil. Estamos falando de estrutura gigante, com décadas de história e clientes globais.
Os demitidos não eram advogados. Eram paralegais.
A justificativa foi direta: eficiência proporcionada pela IA.
Anota aí: os paralegais fazem pesquisa, revisão documental, organização de dados. Tudo que a IA já faz melhor, mais rápido e sem custo de folha. Se esse perfil profissional já está sendo eliminado nas grandes estruturas, quanto tempo leva até a onda chegar nas outras camadas?
Mas eu não vim aqui para te assustar. Vim para te mostrar o outro lado dessa equação.
Quando uma estrutura pesada é destruída pela eficiência, quem sai ganhando não é necessariamente o maior. É o mais adaptado.
Por décadas, a elite da advocacia foi definida por sobrenome, endereço e tamanho de equipe. Escritório grande, prédio caro, time enorme. Esse era o critério de autoridade.
Esse modelo acabou.
Hoje, um advogado bem posicionado acessa ferramentas que antes exigiam equipes inteiras. A IA não precisa de CNPJ, não tira férias e não pede aumento. Ela trabalha para quem souber usá-la, e isso nivela o jogo de um jeito que nenhuma outra tecnologia fez antes.
Um pequeno escritório eficiente pode operar com a capacidade de um médio. Um advogado especialista numa tese específica pode virar referência nacional sem precisar de sócio no Leblon.
A IA não vai acabar com a advocacia, mas vai acabar com a advocacia invisível, aquela que sobrevivia no anonimato porque a concorrência também era lenta.
A nova elite não nasce do sobrenome nem da tradição. Ela nasce da coragem de se adaptar antes que o mercado obrigue.
O futuro não destrói todo mundo. Ele recompensa primeiro quem decidiu enxergá-lo antes dos outros.
A pergunta é simples: quando essa virada estiver completa, de que lado da história você vai estar?