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15/04/2026

A taça de vinho que me fez repensar minha imagem

Hoje eu escrevo esse texto, quase uma carta, com uma taça de vinho à minha frente. E talvez isso, por si só, já diga mais do que qualquer tese sobre alta performance.

Estávamos num pub em Harvard.

Um grupo de mentorados, sem pauta, sem planejamento. Um daqueles momentos que não entram na planilha.

Aí uma aluna virou para mim e disse algo que ficou ecoando na minha cabeça por dias.

Ela estava aliviada em me ver ali, tomando um vinho. Disse que, olhando meu Instagram, eu parecia inatingível, e que isso, de alguma forma, afastava, porque ela nunca conseguiria ser daquele jeito.

Aquilo me atravessou.

Na tentativa legítima de mostrar o que funciona, de ensinar o que dá resultado, de empurrar as pessoas para um nível mais alto,  eu estava escondendo uma parte essencial.

As ranhuras.

Porque a vida não acontece na superfície lisa. Ela acontece nas imperfeições.

E não estou falando isso de um lugar ingênuo. Já mergulhei fundo demais em coisas que não me fizeram bem, especialmente no álcool. Já vivi fases em que a busca por prazer imediato custou caro, em decisões ruins, em ambientes errados, em perdas silenciosas que só quem vive sabe medir.

Existe uma diferença brutal entre liberdade e descontrole, e hoje eu sei disso com clareza.

Mas também sei de outra coisa: disciplina não é sinônimo de ausência de vida.

As pessoas se conectam com a humanidade. E humanidade tem textura. Tem contradição. Tem dias em que você produz no mais alto nível e dias em que você simplesmente respira.

Isso não te torna menor. Isso te torna real.

Tem uma ilusão perigosa sendo vendida por aí de que você precisa ser uma máquina para vencer. Não precisa. Você precisa de direção, de sistema, de constância.

Se você tiver bons sistemas e conseguir executá-los na maior parte do tempo, você já está à frente da esmagadora maioria.

Existe uma frase que eu disse uma vez e que eu quero que, você que estiver lendo, pense nisso com calma: Nós não precisamos ser um em um milhão. Nós precisamos ser um em cem.

Um em cem já muda completamente o jogo. Um em mil muda sua vida. Um em dez mil muda sua geração.

O que é ensinável é consistência e o que é replicável é sistema. O que é sustentável é equilíbrio.

E o ponto mais importante de tudo isso: seja honesto o suficiente para construir uma vida que você consiga sustentar.

Comece com o que você tem. Construa com o que consegue manter. Aprimore aos poucos.

Porque tem gente que cresce tanto para fora que implode por dentro. Isso não é sucesso, é descompasso.

No fim do dia, o que constrói autoridade de verdade não é o personagem, é a coerência entre o que você fala, o que você faz e o que você é.

Hoje, enquanto escrevo isso, há uma taça de vinho à minha frente.

Não como fuga, mas como escolha. Como símbolo de que dá para construir muito E viver.

Saúde.

Foto de Erik Navarro

Erik Navarro

Doutor em Direito pela UERJ em colaboração com a Harvard Law School e Pós-Doutor em Direito pela Stanford Law School (Visiting Scholar Program). Autor de diversos livros nas áreas de Direito, Economia e Inteligência Artificial.

Foi Juiz Federal por 19 anos. Hoje é Sócio CEO do ÁRMAN Advocacia e criador do método Teses Vencedoras Escaláveis — referência em advocacia digital, inteligência artificial jurídica e gestão de escritórios de alto desempenho. Ajuda advogados a construir uma prática previsível, automatizada e escalável.

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