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27/03/2026

10% de um dos maiores escritórios do mundo desapareceu esta semana

O Baker McKenzie demitiu 10% da equipe essa semana. Não eram advogados, eram paralegais. A justificativa foi uma só: IA. Se isso já acontece nas maiores estruturas do mundo, o que vem a seguir?

Nos últimos dias aconteceram três coisas que, separadas, parecem notícias soltas. Juntas, são um sinal que eu não consigo ignorar.

A Anthropic recusou as condições para que o Claude fosse usado pelo Pentágono. No dia seguinte, a OpenAI fechou contrato com o governo americano. E no meio desse ruído todo, surgiu a ameaça de nacionalização de uma empresa de IA, coisa que há dois anos soaria ficção científica.

Não soou mais.

Desde o ano passado eu venho citando nas minhas aulas um relatório chamado AI 2027. Ele descrevia exatamente esse cenário. A história, cara, tem uma forma muito particular de provar que quem presta atenção nos sinais certos não é paranóico, é só mais rápido.

E aí, nessa mesma semana, o Baker McKenzie demitiu 10% da sua força de trabalho.

O Baker McKenzie é um dos maiores escritórios do mundo. Não estamos falando de escritório médio apertado em conjuntural difícil. Estamos falando de estrutura gigante, com décadas de história e clientes globais.

Os demitidos não eram advogados. Eram paralegais.

A justificativa foi direta: eficiência proporcionada pela IA.

Anota aí: os paralegais fazem pesquisa, revisão documental, organização de dados. Tudo que a IA já faz melhor, mais rápido e sem custo de folha. Se esse perfil profissional já está sendo eliminado nas grandes estruturas, quanto tempo leva até a onda chegar nas outras camadas?

Mas eu não vim aqui para te assustar. Vim para te mostrar o outro lado dessa equação.

Quando uma estrutura pesada é destruída pela eficiência, quem sai ganhando não é necessariamente o maior. É o mais adaptado.

Por décadas, a elite da advocacia foi definida por sobrenome, endereço e tamanho de equipe. Escritório grande, prédio caro, time enorme. Esse era o critério de autoridade.

Esse modelo acabou.

Hoje, um advogado bem posicionado acessa ferramentas que antes exigiam equipes inteiras. A IA não precisa de CNPJ, não tira férias e não pede aumento. Ela trabalha para quem souber usá-la, e isso nivela o jogo de um jeito que nenhuma outra tecnologia fez antes.

Um pequeno escritório eficiente pode operar com a capacidade de um médio. Um advogado especialista numa tese específica pode virar referência nacional sem precisar de sócio no Leblon.

A IA não vai acabar com a advocacia, mas vai acabar com a advocacia invisível, aquela que sobrevivia no anonimato porque a concorrência também era lenta.

A nova elite não nasce do sobrenome nem da tradição. Ela nasce da coragem de se adaptar antes que o mercado obrigue.

O futuro não destrói todo mundo. Ele recompensa primeiro quem decidiu enxergá-lo antes dos outros.

A pergunta é simples: quando essa virada estiver completa, de que lado da história você vai estar?

Foto de Erik Navarro

Erik Navarro

Doutor em Direito pela UERJ em colaboração com a Harvard Law School e Pós-Doutor em Direito pela Stanford Law School (Visiting Scholar Program). Autor de diversos livros nas áreas de Direito, Economia e Inteligência Artificial.

Foi Juiz Federal por 19 anos. Hoje é Sócio CEO do ÁRMAN Advocacia e criador do método Teses Vencedoras Escaláveis — referência em advocacia digital, inteligência artificial jurídica e gestão de escritórios de alto desempenho. Ajuda advogados a construir uma prática previsível, automatizada e escalável.

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